Fazer a primeira viagem internacional costuma trazer um monte de perguntas. Será que vou conseguir me virar? Quanto dinheiro preciso levar? Onde é melhor ficar? Como vou me locomover? O que vale a pena conhecer? E se aparecer algum gasto que eu não tinha previsto?
É normal pensar em tudo isso antes de embarcar. Só que muita coisa que parece complicada enquanto você está planejando fica bem mais simples quando a viagem começa.
A melhor forma de diminuir essa ansiedade é sair de casa com o básico bem organizado. Documentos, passagem, hospedagem, seguro, uma ideia dos gastos e pelo menos os primeiros passos do roteiro já resolvidos. Depois disso, sobra espaço para aproveitar aquilo que realmente importa: descobrir como é estar em outro país.
Antes de viajar, organize o básico e faça as contas.
Uma das primeiras coisas que vale fazer é colocar no papel quanto a sua viagem realmente vai custar - some tudo!
Comece pelos gastos maiores: passagem aérea, hospedagem, seguro viagem e os principais passeios ou ingressos. Depois pense no dia a dia, incluindo alimentação, transporte, compras e pequenos gastos que sempre aparecem.
Não existe um valor único que sirva para qualquer viagem. Passar uma semana em Nova York, Buenos Aires, Paris ou Santiago envolve custos bem diferentes. Por isso, é melhor montar uma média diária para o destino que você escolheu.
Se você calcula, por exemplo, quanto pretende gastar por dia com comida, transporte e pequenos extras, fica muito mais fácil chegar a um valor próximo da realidade.

Vista do Trocadero do alto da Torre Eiffel.
E não viaje contando com o dinheiro até o último centavo.
Depois de calcular os gastos principais, vale separar uma reserva para imprevistos. Algo em torno de 10% a 20% além do orçamento planejado já dá uma folga para situações que você não estava esperando.
Pode ser uma corrida de aplicativo mais cara, uma mala extra, um ingresso que resolveu comprar na hora, um restaurante diferente ou até uma compra que simplesmente apareceu pelo caminho.
Essa reserva não precisa ser gasta. Na verdade, o melhor é voltar com ela para casa. Mas saber que existe um valor disponível caso alguma coisa saia do planejado deixa a viagem muito mais tranquila.
Conheça os lugares famosos e escolha o que realmente quer fazer.
Se é a sua primeira vez em um destino, provavelmente existem alguns lugares que você sonha em conhecer. E não tem nada de errado em querer começar justamente pelos mais famosos.
Se vai a Paris, talvez queira ver a Torre Eiffel. Em Nova York, Times Square e Central Park provavelmente estão na lista. Em Londres, Big Ben e os principais pontos da cidade naturalmente chamam atenção.
O importante é pesquisar antes quais atrações são gratuitas, quais precisam de ingresso e quais ficam mais baratas ou mais fáceis quando compradas com antecedência.
Alguns passeios podem representar uma parte importante do orçamento, então vale decidir antes quais são prioridade para você.
Só não tente encaixar tudo na mesma viagem.
É muito fácil começar a salvar lugares no celular e terminar com uma lista impossível de cumprir. Aí a viagem vira uma corrida para conseguir chegar ao próximo ponto.
Escolha aquilo que você realmente quer conhecer e deixe algum espaço livre entre as atrações. Além de ser mais agradável, isso também ajuda no orçamento.
Você não precisa pagar ingresso para tudo. Caminhar por um bairro interessante, visitar um parque, conhecer uma praça ou simplesmente observar o movimento de uma cidade também são ótimos passeios.
Viajar bem não significa gastar dinheiro o tempo inteiro.
Comida, câmbio e gastos do dia a dia também entram na conta.
Comida é uma das partes mais legais de conhecer outro país, mas também pode pesar bastante no orçamento se você não pensar nisso antes.
Nem todas as refeições precisam ser em restaurantes. Dá para misturar: experimentar um restaurante que você realmente quer conhecer, comer alguma coisa rápida durante um passeio, entrar em mercados e descobrir comidas locais mais simples.
Aliás, supermercado merece uma visita em praticamente qualquer viagem. Além de ser curioso ver os produtos diferentes, você pode comprar água, lanches, frutas, doces e até algumas lembranças gastando bem menos.
E aproveite para experimentar coisas novas. Pode ser uma comida de rua, uma sobremesa, um refrigerante diferente ou alguma coisa que você encontrou na prateleira e decidiu provar por curiosidade.

Área de check-in de um aeroporto
O câmbio também merece atenção.
Evite deixar tudo para resolver no aeroporto ou no primeiro dia da viagem. Veja antes quais opções você pretende usar, como dinheiro em espécie, cartão internacional ou contas globais, e compare os custos envolvidos.
Também não precisa necessariamente comprar toda a moeda de uma vez. Dependendo de quanto tempo falta para a viagem, muita gente prefere ir fazendo isso aos poucos.
O mais importante é saber quanto você realmente terá disponível na moeda do destino e conhecer as taxas cobradas em cada forma de pagamento.
E tenha mais de uma opção. Viajar apenas com um cartão ou apenas com dinheiro em espécie pode virar problema se acontecer algum imprevisto.
Escolha bem onde ficar e como vai se locomover pela cidade.
Hospedagem não precisa ser a mais cara da cidade, mas localização faz bastante diferença.
Às vezes, um hotel um pouco mais barato fica tão distante das atrações que você acaba gastando mais tempo e dinheiro todos os dias com transporte. Antes de reservar, abra o mapa e veja onde ficam os lugares que pretende conhecer.
Confira também se existe transporte público próximo, como metrô ou ônibus, e leia com atenção o que está incluído na diária.
Café da manhã, taxas locais, depósito de segurança e regras de entrada e saída podem mudar bastante de um hotel para outro.
Preço da diária é importante, mas não deve ser o único critério.
O transporte também precisa entrar no planejamento.
Primeiro pense em como vai sair do aeroporto e chegar até a hospedagem. Depois veja como as pessoas normalmente circulam naquele destino.
Em algumas cidades, o metrô resolve praticamente tudo. Em outras, ônibus, trem, táxi ou aplicativo acabam sendo necessários em determinados momentos.
Veja também se existem passes de transporte para vários dias e compare com o valor das passagens individuais.
Não precisa aprender todas as linhas de metrô antes de viajar. Aplicativos de mapas ajudam bastante. Mas chegar já sabendo qual estação fica perto do hotel e como fazer os primeiros trajetos evita aquela sensação de estar completamente perdido no primeiro dia.
Deixe espaço para compras, fotos e aquelas coisas que aparecem pelo caminho.
Comprar alguma coisa durante a viagem também é divertido. Pode ser uma camiseta, um imã de geladeira, uma caneca, um perfume, uma roupa, um doce ou simplesmente alguma coisa que você encontrou e gostou.
Muitas vezes, as melhores lembranças aparecem justamente onde você nem estava procurando: em uma loja pequena, em um mercado, numa farmácia, numa livraria ou naquela lojinha descoberta durante um passeio.
Por isso, se você gosta de compras, coloque um valor para isso no orçamento. Não precisa ser muito, mas é melhor já considerar esse gasto do que fingir antes da viagem que não vai comprar nada e depois descobrir que voltou com uma mala cheia.
Uma lembrancinha simples pode carregar uma história inteira.

Times Square em New York
E tire fotos. Muitas.
Fotografe os lugares famosos, as ruas, a comida, as pessoas que estão viajando com você e também aquelas situações comuns que parecem sem importância na hora.
Só não passe a viagem inteira olhando tudo pela tela do celular.
Depois das fotos, guarde o aparelho por alguns minutos e olhe ao redor. Observe as pessoas, escute os sons da cidade, experimente conversar, mesmo que seja com poucas palavras, e aproveite a sensação de estar num lugar diferente.
Você provavelmente vai errar alguma rua, não entender alguma coisa, gastar um pouco mais em um dia e economizar em outro.
Normal.
É a primeira viagem internacional, não uma prova.
No fim, você não precisa ter tudo sob controle.
Para a primeira viagem internacional, o mais importante é sair de casa com aquilo que realmente precisa estar organizado: documentos, passagem, hospedagem, seguro, uma ideia de quanto vai gastar, formas de pagamento e um roteiro básico.
O restante você vai entendendo pelo caminho.
Vai aprender como funciona o transporte, descobrir quanto custa uma refeição, experimentar comidas diferentes, entrar em lojas, conhecer lugares que só tinha visto em fotos e provavelmente comprar alguma coisa que não estava nos planos.
E essa é justamente uma das partes mais divertidas.
Não precisa transformar a primeira viagem em algo complicado. Escolha um lugar que você tenha vontade de conhecer, faça as contas, organize o necessário e vá.
Você volta com fotos, algumas compras, histórias para contar e, muito provavelmente, já pensando onde poderia ser a próxima.

Telmo Curcio
Há mais de 11 anos trabalhando com viagens, hoje divido minha rotina entre a organização e guiamento de grupos e a assessoria para visto americano.
Apaixonado por viagens, tecnologia e fotografia.





